É preciso enfrentar a realidade de cabeça erguida e sempre amando a verdade para ser livre. Não se deixar levar por ilusões é o segredo para se ter autonomia nas decisões que levam a uma vida mais digna. Aqui podem ser achados assuntos relacionados a saúde, teologia, antropologia, sociologia, história, política, psicologia, artes, etc...

Quarta-feira, Abril 16, 2008

Quanta gente desequilibrada...

Vou ser obrigada a falar de um assunto que ninguem aguenta mais (nem eu). O caso Isabella. Um crime hediondo que chocou o país e que vem sendo investigado da maneira mais esquisita do mundo. Até agora foram feitas 8 perícias sendo que nesse meio tempo o pai e a irmã de Alexandre Nardoni entraram lá. Já foi limpo o sangue encontrado no apto, já foram lavadas as roupas usadas na noite do crime, o corpo da criança foi enterrado e desenterrado...tinha que ser no Brasil essa bagunça toda. Mas fora isso, fica dificil julgar pessoas que não conhecemos. Tudo o que se sabe é que os vizinhos escutaram a menina aos berros e uma mulher gritando minutos antes do acontecido. Esses vizinhos também referem que os gritos histéricos da tal mulher eram frequentes, principalmente de final de semana onde o Alexandre encontrava com sua ex-mulher para pegar a Isabella. Além disso, Ana Carolina Jatobá andava surtando com o choro do próprio filho e a medica receitou anti-depressivo. Não houve acompanhamento psicológico nenhum e ela nao tomou o medicamento. Pra piorar, tudo indica que seu desequilíbrio psicológico tem origem na sua relação com seu próprio pai que já coleciona 2 BOs da filha que o acusa de te-la espancado.
Então eu lhes pergunto: quais as chances dela ter asfixiado uma menina que nem filha dela era e que era filha da mulher que ela mais odiava no mundo? muitas...
O que me choca é o pai, Alexandre, acobertar essa monstruosidade feita com a própria filha. Mas se isso aconteceu dessa maneirda de fato, duvido que a família Nardoni livraria a cara dessa moça doida de graça. Se Ana Carolina Jatobá asfixiou a pobre Isabella, Alexandre Nardoni é co-autor inclusive tendo ele mesmo jogado a garota pela janela...e se a família o protege deste jeito, está explicado o comportamento ultrajante e doente: mimo.
O mimo é um veneno doce. Pais que passam a mão na cabeça de seus filhos e acobertam suas cagadas estão criando verdadeiros monstros.
Se essas especulações se confirmarem, vou começar a entender a reação tranquila da mãe de Isabella. Triste, mas parecendo estar muito conformada com a morte da filha, sorria para os jornalistas. De duas uma: ou ela estava sob efeito de tranquilizantes e não tinha caído a ficha ainda ou ela estava curtindo a sensação de ter razão quando discutia com Ana Carolina Jatobá (e quem disse que isso seria errado?).
De qualquer forma, dedicar "Eu Sei Que Vou Te Amar" de Jobim para a filha foi emocionante...por isso que eu digo: antes das pessoas terem filhos, deveria ser feito um exame pra ver se a pessoa tem condições psicológicas pra isso. Seria uma tática de controle de natalidade super eficaz. Mais da metade da população mundial não passaria.
Sábado, Março 29, 2008

O Escândalo do Vídeo "Racista" da África do Sul

Andou rolando essa semana um bafafá sobre um suposto video racista da África do Sul. A primeira notícia que li foi no jornal do metrô aqui de SP distribuido gratuitamente na segunda-feira no trânsito.
A manchete dizia: "Vídeo Racista Escandaliza África do Sul". Infelizmente passei a semana inteira sem internet e não pude acessar o youtube pra ver o video na integra. Mas de certa forma isso foi bom porque agora que finalmente consegui acessar, a história já tomou um rumo e eu tive mais elementos pra analisar melhor o que está acontecendo.

Primeiramente a mídia mundial divulgou a notícia tentando preservar a identidade dos supostos agredidos. Assim como no jornal do metrô, foi divulgado que estudantes brancos da Universidade de Free State (UFS), em Bloemfontein (cidade com grande número de africâners - descendentes de holandeses que colonizaram a África do Sul no séc XIX), teriam embebedado os faxineiros negros e que depois teriam preparado um prato chamado "Jaggie", onde misturaram carne com urina e dado aos faxineiros que passaram mal e vomitaram. A BBC ainda conta que o vídeo, que parece ter sido gravado em setembro, foi feitopor estudantes que não aprovam a nova lei da universidade que diz que estudantes negros e brancos devem dividir igualmente as acomodações da universidade. A própria reitoria acredita que o intuito da gravação é de intimidar os alunos negros.

Vejam as notícias:


A UFS é conhecida por ter predominantemente estudantes brancos desde o apartheid (abolido há 18 anos). Isso acabou dificultando a integração de pessoas de outras etnias na universidade. Dois estudante foram suspensos do campus depois da divulgação do vídeo, no entanto seus advogados negam que eles tenham cometido um ato criminal e afirmam que o vídeo mostra apenas uma brincadeira.

Então vamos analisar mais de perto. Abaixo o alegre vídeo de brincadeiras inocentes na íntegra:



Agora eu pergunto: se eles queriam intimidar os alunos negros, por que fazer isso com os faxineiros? Pesquisando, a única informação que consegui é que a grande maioria dos alunos é branca, o que me leva a supor que mesmo que em minoria, há alunos negros na universidade. Seria esse vídeo, realmente um vídeo racista ou será que o buraco é mais embaixo? Outra coisa que percebo é que os faxineiros estão o tempo todo rindo e algumas vezes (revi o vídeo e percebi) os faxineiros e os alunos se chamam pelo nome. Claro que isso não é motivo pra acharmos que são todos amigos íntimos, mas pelo menos se conhecem. Também não dá pra dizer que os faxineiros estão adorando a brincadeira, mas não temos provas de que eles estavam sendo forçados a fazer aquilo. será que eles sabiam que havia urina na comida? Tem tanta gincana esquisita por aí e tem até gente que fala que urinoterapia faz bem à saúde. Sei lá, cada cabeça com sua sentença. Mesmo assim, temos que ter cuidado ao julgar os outros. A brincadeira é, sem dúvida, nojenta e lamentável. Se fosse meu filho ia escutar muito e eu não pagaria advogado nenhum pra defender, mas acusar de racismo me pareceu precipitado.

Um "colega" resolveu publicar sua opinião sobre o caso e defende os alunos brancos. De um certo modo ele tem argumentos consistentes, como por exemplo alegar que a integração social na África está sendo forçada ao invés de ser algo introduzido na educação de forma gradual. No entanto isso não justifica tais atitudes, concordam? Ele ainda conta que os times de futebol da universidade estão sendo formados primeiramente com estudantes negros, fazendo com que os alunos comecem a se odiar e brigar por vagas.

De certo modo, faz sentido e me fez lembrar da Cota para Negros nas Universidades, criada pelo digníssimo Presidente Lula. mas continua sendo mais uma opinião apenas. Até mesmo porque ele "caga na entrada e na saída" quando justifica as brincadeiras dizendo que como os jovens brancos são criados por negras mais velhas como suas segundas mães (uma espécie de ama de leite como excistia antigamente aqui no Brasil), seria impossível se tratar de atos racistas, uma vez que os alunos consideram as negras como parte da família...

Mais tarde saiu uma matéria onde os outros dois 'jockers' do vídeo original explica que na verdade eles não urinaram na comida, que foi tudo uma encenação onde ele tirou uma garrafa de bebida da calça e fingiu urinar e depois dar a comida para os faxineiros comerem. Disseram ter feito isso de brincadeira e que acharam engraçado.

Eles ainda alegam ter imitado Leon Schuster, um comediante sulafricano considerado o rei das pegadinhas africanas, quando em seu filme colocou uma espécie de pastel debaixo do braço e deu para as pessoas comerem.

Se continuam horrorizados, não é preciso ir muito longe. Esse depoimento me lembrou um grupo de humoristas que conquistou o Brasil chamado Pânico. Com suas piadinhas no começo engraçadas, mas que agora já cansaram, adoram humilhar as pessoas da maneira mais infantil: zombando de condições físicas e sociais. Se eu disser que não assisto e não acho graça, estarei mentindo descaradamente. Mas algumas coisas acho tremendamente de mau-gosto e desnecessárias. Inclusive pouco criativas (uma vez que chegam a imitar o Jackass em alguns quadros) e cansativas (já que todo domingo é a mesma palhaçada).

Já deve fazer 1 mês que me esqueço de assistir e percebi que meu domingo ficou mais produtivo com isso, mas enfim, adolescentes têm mesmo esse humor agressivo por estarem numa fase de baixa auto-estima. Humilhar os outros se torna uma maneira de se sentirem melhores.

Mas voltando à África do Sul, acho importante entendermos o que está acontecendo lá para analisarmos direito a situação. A África do Sul foi uma região dominada por colonizadores de origem inglesa e holandesa. É sabido que, por não conseguirem controlar os nativos (chamados Boeres), tiveram que importar escravos da Indonésia, de Madagáscar e da Índia. A descoberta de diamantes em 1867 e de ouro, em 1886 aumentou a riqueza dos colonos, que continuavam a imigrar para a África do Sul e intensificou a sujeição dos nativos. Os boers (ou bôeres) resistiram aos britânicos na Primeira Guerra dos Bôeres (1880-81) e uma das razões foi o facto destes colonos usarem fardamento cáqui, que é da cor da terra, enquanto os britânicos usavam uniformes de cor vermelha, tornando-os alvos mais fáceis para os atiradores boers.
Na 2ª Guerra dos Boeres (1902) quando as tropas britânicas já não usavam os seus uniformes vermelhos. Os boers resistiram com tácticas de guerrilha, usando o seu conhecimento superior da terra, mas os britânicos venceram-nos pela força do número e pela possibilidade de organizar mais facilmente os abastecimentos. A partir daí instalaram o apartheid para manterem o domínio sobre a população nativa. Com isso, forçou o negro a viver em reservas especiais, criando uma gritante desigualdade na divisão de terras do país, já que esse grupo formado por 23 milhões de pessoas ocuparia 13% do território, enquanto os outros 87% das terras seriam ocupados pelos 4,5 milhões de brancos. Nas cidades eram permitidos negros que executassem trabalhos essenciais, mas que viviam em áreas isoladas (guetos). As “Leis do Passe” obrigava os negros a apresentarem o passaporte para poderem se locomover dentro do território, para obter emprego. Essa política de segregação racial ganhou força e foi oficializada em 29 de junho de 1948, quando o Partido Nacional, dos brancos, assumiu o poder. O apartheid atingia a habitação, o emprego, a educação e os serviços públicos. Os casamentos e relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram ilegais. Os hospitais eram segregados, sendo os destinados a brancos capazes de fazer frente a qualquer um do mundo ocidental e os destinados a negros, comparativamente, tinham séria falta de pessoal e fundos e eram, de longe, limitados em número. As ambulâncias eram segregadas, forçando com que a raça da pessoa fosse corretamente identificada quando essas eram chamadas. Uma ambulância "branca" não levaria um negro ao hospital. Ambulâncias para negros tipicamente continham pouco ou nenhum equipamento médico. Os negros geralmente trabalhavam nas minas, comandados por capatazes brancos e viviam em guetos miseráveis e superpovoados.

Fazendo um adendo, diante de tantas leis em nome do apartheid, uma me chama atenção: é a Lei de Educação Bantu (1953), que trouxe várias medidas explicitamente criadas para reduzir o nível de educação recebida pela população negra. Desgraçadamente, me veio à mente essa nossa realidade brasileira onde a maioria dos pobres e iletrados são negros. Talvez não vivamos descaradamente o apartheid, mas temos muito em comum.

Para lutar contra essas injustiças, os negros acionaram o Congresso Nacional Africano (CNA), uma organização negra clandestina, que tinha como líder Nelson Mandela. Após o massacre de Sharpeville, o CNA optou pela luta armada contra o governo branco, o que fez com que Nelson Mandela fosse preso em 1962 e condenado à prisão perpétua. A partir daí, o apartheid tornou-se ainda mais forte e violento. A partir de 1975, com o fim do império português na África, lentamente começaram os avanços para acabar com o apartheid. A comunidade internacional e a Organização das Nações Unidas (ONU) faziam pressão pelo fim da segregação racial. Em 1991, o então presidente Frederick de Klerk não teve outra saída: condenou oficialmente o apartheid e libertou líderes políticos, entre eles Nelson Mandela. A partir daí, outras conquistas foram obtidas: o Congresso Nacional Africano foi legalizado, De Klerk e Mandela receberam o Prêmio Nobel da Paz (1993), uma nova Constituição não-racial passou a vigorar, os negros adquiriram direito ao voto e em 1994 foram realizadas as primeiras eleições multirraciais na África do Sul e Nelson Mandela se tornou presidente da África do Sul, com o desafio de transformar o país numa nação mais humana e com melhores condições de vida para a maioria da população.

A história é muito bonita, sem dúvida. Mas não dá pra separarmos os brancos e negros como bandidos e mocinhos. Ninguém é 100% bom ou 100% ruim. Cada um defende seus interesses e o ser humano é egoísta em sua essência. A herança do apartheid e as desigualdades sócio-econômicas que ele promoveu e sustentou podem vir a prejudicar a África do Sul por muitos anos no futuro. Não é de se estranhar que muitos negros sulafricanos estejam eufóricos com a reviravolta e sedentos de justiça. É comum receber uma reação violenta para cada ação violenta que se cometa e é isso que vem acontecendo por lá. Assim como aconteceu com os negros durante o apartheid, muitos brancos estão se sentindo acuados diante de leis e obrigações de integração social que forçam vantagens sociais aos negros como se os jovens brancos, descendentes de europeus opressores, tivessem que pagar pelo que seus pais e avós fizeram. Portanto, é muito fácil acusar uma brincadeira estúpida de racismo gratuito.

Não estou defendendo nenhum dos lados, acho que todos estão errando, seja com brincadeiras humilhantes idiotas, sejam com métodos violentos de opressão, seja com leis de convivência obrigatória, seja com reportagens alarmantes que instigam o julgamento precoce. nada imposto é saudável, obrigação é levar alguém a fazer coisas sem ser de coração e eu continuo achando que a intensão é o que vale. Diminuir o outro pra se sentir melhor, antes de ser um ato leviano, é negar a si mesmo, uma vez que todos nós somos seres humanos, independente de raça, credo, etc. Sentimos parecido e isso deve ser respeitado.
Segunda-feira, Março 17, 2008

Diet, Light e Afins...

Hoje quero chamar a atenção de vocês para um caso ainda muito questionável, mas que está criando cada dia mais adeptos (incluindo eu até o momento presente, onde reconsiderarei minhas escolhas).
Estamos na era da magreza e isso não é novidade pra ninguém. Tantas pessoas se matando na academia, passando fome, tomando shakes que prometem substituir uma refeição saudável (!!!) e outras loucuras da era da estética. Para auxiliar no emagrecimento, muitas pessoas recorrem aos adoçantes dietéticos, mas nem sempre eles foram bem-vistos.
A Sacarina, descoberta em 1879, foi o maior alvo de críticas, talvez por ter maior tempo de mercado. A crítica mais famosa acusava a sacarina de ser a responsável por câncer na bexiga de ratos. Por isso, foi objeto de estudo de mais de 30 trabalhos com humanos. No ano de 2000, o Programa Nacional de Toxicologia determinou, com base nos estudos disponíveis, que a sacarina não era um agente em potencial na etiologia do câncer, em vista do que a FDA liberou o produto para consumo geral em 2001. Aqui temos que dar o braço a torcer, uma vez que profissionais de abordagem holística (assim como eu) reconhecem que todas as doenças (e principalmente o câncer) são geradas pelo indivíduo. Maaaasssss, não podemos desconsiderar o poder químico das substâncias e como nosso organismo reage a isso. No intuito de melhorar a imagem desses adoçantes, colocou-se publicamente 3 grandes motivos para os adotarmos como grandes aliados da saúde:
1- Emagrecimento
2- Higiêne Bucal
3- Diabetes

O que dificilmente se divulga é que a Sacarina foi, inicialmente, utilizada como anti-séptico e como conservante de alimentos. O que um anti-séptico e um conservante têm em comum? Matar bactérias. O que são bactérias? Células. Do que somos feitos? Ah ta... "Ah, Mariana, mas vinagre é anti-séptico e conservante e não morremos por colocar um vinagrezinho na salada". Sim, mas experimente colocar 10 gotinhas de vinagre em cada cafezinho, cházinho que você tomar. Comece a acrescentar vinagre em todos os produtos que você consumir (uma vez que os diabéticos e os adeptos da dieta só consomem produtos Diet, ou seja, que contém sacarina). Será que uma ingestão cavalar de adoçante não interfere em nada na saúde?
Bom, como vocês já estão acostumados, aqui a gente não fica no achismo, então vamos a uma conversa mais consistente. Eu consumo aspartame há cerca de 7 anos. Preferi o aspartame por não deixar aquele resíduo amargo da sacarina (lembrando que o paladar humano identifica todos os venenos por um gosto amargo). Descoberto nos anos 60 num frasco contendo metanol, o aspartame foi eleito o adoçante da minha dieta para não engordar depois de uma aula de bioquímica na faculdade onde o professor explicava que um copo de leite apresenta seis vezes mais fenilalanina e 13 vezes mais aspartato que uma quantidade equivalente de refrigerante adoçado com aspartame e que a quantidade de metanol em um copo de suco de tomate é seis vezes superior a do mesmo volume de refrigerante. No entanto, vim notando uma diferença no meu metabolismo que num primeiro momento atribui à idade (fase adulta = metabolismo mais lento). Afinal de contas, como pode uma menina que vivia de salgadinhos, balas, chocolates e afins engordar com frutas refris light e chá com adoçante?

Depois de muitos chás, caí na besteira de tomar bola (moderador de apetite) mais conhecido como anfetamina. Sequei 6kg em 1 mês e passei muito mal. Tonturas era o mínimo que acontecia. Larguei a bola e engordei 10kg. Voltei pro chazinho com adoçante e nunca mais consegui emagrecer. Mas a história de antes poder comer quantidades de doce absurdas e pesar menos do que peso hoje comendo frutas e contidade de doce moderada, continuava me intrigando. De repente percebi que não consigo ficar completamente sem doce, mas mesmo moderando a ingestão, não consigo voltar ao peso antigo. Será que o inocente chazinho com adoçante tem algo a ver com isso? Impossível, eu diria. Mas hoje digo que isso não só é possível, como faz todo o sentido.

Uma pesquisa, assinada pela Universidade Purdue, nos Estados Unidos, comparou dois grupos de roedores: a um deles foi oferecido iogurte adocicado com açúcar normal e, ao outro, o laticínio com um edulcorante artificial, a sacarina. Para resumir a ópera, os bichos que ficaram à base da segunda opção tiveram maior ganho de peso e, claro, aumento da gordura corporal sem falar que passaram a comer muito mais.

Depois de duas semanas de iogurte, os pesquisadores da Universidade Purdue ofereceram aos ratos um pudim de chocolate. Os animais se refestelaram com a guloseima. E, satisfeito, o grupo à base de açúcar comeu menos iogurte na refeição seguinte, como se o organismo tivesse feito um ajuste em relação à enxurrada calórica do pudim. Já o segundo grupo não fez a compensação: caiu de boca no iogurte com adoçante. Além disso, antes e depois do banquete, os especialistas mediram a temperatura dos roedores, um marcador potencial da atividade do organismo. Na turma do edulcorante artificial, a temperatura não se elevou como nas cobaias alimentadas com o iogurte açucarado.

O organismo dos animais, e o dos humanos, se vale de pistas nos alimentos, como o sabor adocicado, para predizer a quantidade de calorias que será fornecida pela refeição. Baseado nessas informações, o corpo processa de modo mais eficiente o que ingere. Porém, ao consumir alimentos como o iogurte com sacarina, essas respostas fisiológicas são reduzidas ou eliminadas, revela Susie. Assim, come-se em demasia e as calorias ainda são queimadas mais lentamente. Por essa tese, por trás do efeito engordativo de alguns refrigerantes diet estaria uma fome voraz, disparada pelo adoçante.

Numa outra pesquisa, os pesquisadores acompanharam os hábitos alimentares de 16 mil indivíduos de meia-idade por mais de nove anos. Seu objetivo era investigar a relação entre a dieta dessa gente toda e a ocorrência de síndrome metabólica, uma conjunção de problemas como resistência à insulina, colesterol ruim elevado, pressão arterial nas alturas e gordura abdominal.

No cômputo geral dos resultados, um achado surpreendente: os voluntários que bebiam uma lata de refrigerante diet por dia apresentaram um risco 34% maior de desenvolver a síndrome. Para ter idéia de como essa porcentagem pesa, o risco de quem costumava comer frituras foi, por incrível que pareça, só 25% maior.

Quer mais argumentos científicos? Ta bom. Em 86, foi feita uma pesquisa que avalia a mudança de peso, durante um ano, em 78.694 mulheres entre 50 e 69 anos que faziam parte de um estudo sobre mortalidade. Aquelas que usavam aspartame ganharam mais peso que as que não usavam o produto, independente do peso inicial. Segundo o pesquisador, "os dados não apóiam a hipótese de que o consumo de adoçantes artificiais a longo prazo ajudem a perder peso ou previnam o ganho de peso".

Aparentemente, em sua ação sobre o cérebro, o aspartame faz com que a pessoa sinta mais desejo de comer carboidratos — farinhas, açúcares, amido — e, assim, acaba engordando. Forma-se um círculo vicioso: a pessoa toma aspartame para emagrecer; mas passa a ingerir mais carboidratos, e aí engorda; logo, adota ainda mais alimentos com aspartame e fica presa neste círculo vicioso, cada vez mais vulnerável aos efeitos da droga. Segundo o psicólogo Daniel C. Stettner, existe uma outra forma de engordar por causa do consumo de produtos diet. "A indústria de alimentos joga com o açúcar, a gordura e o sal," diz ele, "é como um jogo de esconde-esconde." Ele diz que, quando os industriais diminuem a quantidade de açúcar nos alimentos, geralmente aumentam a gordura ou sal, para compensar a falta de gosto. Por exemplo, os sorvetes "sugar-free" são feitos com altos índices de gordura.

Outra forma, mais indireta, de sabotagem da dieta, com o uso do aspartame pode ser que se consome muito mais calorias, ao se considerar que o uso do aspartame está aliviando a "culpa". Se usamos aspartame (ou outro adoçante), sempre achamos que estamos liberadas pra comer um pouco mais...Eu já cansei de comer uma bela torta de chocolate tomando coca light e já vi muitas amigas fazendo o mesmo. Então analisemos os grandes 3 motivos para consumir adoçantes:
1- Emagrecimento - acho que nem preciso comentar muito né, quando o corpo pede doce, é de açúcar que ele está falando. Portanto, é preferível saciar sua vontade com um pedaço pequeno de bolo do que atacar uma torta diet ou tomar chazinhos com adoçante tentando se enganar. Uma hora você vai atacar uma salada de batatas achando que está livre do açúcar.
2- Higiêne Bucal - essa eu realmente acho ridícula e deve ser coisa de preguiçoso. Levanta essa bunda gorda e vai escovar os dentes!!! De preferência use uma loção bucal.
3- Diabetes - Existem 2 tipos de diabetes. Um acontece 'do nada' na infância, segundo a medicina tradicional e o outro acontece porque o individuo exagerou durante a vida. A prevenção ainda é (e sempre será) o melhor remédio, mas se você já está diabético, eu concordo com o uso de adoçantes em ALGUNS casos. Mas é bom a gente ressaltar que a melhor saída ainda é a diminuição do uso do açúcar.

Quantas vezes a gente exagera no açúcar sem nenhuma necessidade, enche o suco de açúcar, tem gente que póe açúcar no suco de laranja, eu acho isso tão estranho! Pega aquele abacaxi melado de tão maduro e faz uma coberta de açúcar em cima...

O importante é esoclher sempre o mais natural dos alimentos disponíveis e atender ao seu corpo. A partir de hoje vou abolir o adoçante e ver o que acontece.
Sexta-feira, Março 07, 2008

Espinafre demais faz mal à saúde!!!

Popeye nasceu em 19 de janeiro de 1929, na história em quadrinhos Thimble Theater publicada pelo King Features Syndicate - uma empresa criada em 1915 pelo magnata da comunicacão William R. Hearst (1863-1951) para comercializar os quadrinhos (syndicates). Durante a 2a Guerra Mundial, Popeye se 'alistou' na marinha Americana e passou a usar um uniforme azul escuro, que fez parte de seu visual até os anos 60. Com o aval do governo, os quadrinhos ganharam um público fixo e foram utilizados como propaganda ideológica.

O famoso marinheiro, faz propaganda do espinafre, dando a entender que quem come está sempre forte e pronto para superar qualquer obstáculo. O que poucos sabem, é que no mesmo país de origem do desenho (Estados Unidos), há algumas décadas atrás, a ingestão de leite batido com espinafre (o objetivo era enriquecer a bebida com ferro), causou a morte de crianças recém-nascidas. A doença ficou conhecida como doença do branco do olho azul, pois o branco dos olhos ficava dessa cor. Posteriormente, descobriu-se que a presença do espinafre no leite era a causadora da tragédia, mas na época (1951) o fato foi encoberto e o desenho do marinheiro Popeye continuou a ser exibido.

Baseada nesses dados históricos, a pesquisadora e professora titular de Nutrição na Esalq-Usp, em Piracibaba (SP) orientou, em 2002, uma tese de mestrado com o objetivo de avaliar a capacidade nutricional e a disponibilidade de minerais no espinafre. Durante a pesquisa, alguns animais foram submetidos a uma dieta com o vegetal e o resultado foi impressionante. Todos morreram em menos de 10 dias. Fizemos a experiência novamente com espinafres retirados da horta da universidade, sem nenhum aditivo, e o resultado foi o mesmo , revela. Segundo ela e o patologista que examinou os animais, as mortes foram causadas por um componente presente no espinafre chamado mirozinase.

O espinafre é um dos alimentos vegetais que mais contém cálcio e ferro. Rico em vitamina C, uma única xícara de espinafre fornece 90% da RDA (Ingestão Dietética Recomendada) dessa vitamina, assim como 500 mg de potássio e 10% das RDAs de vitaminas B6 e riboflavina. Entretanto, esses nutrientes são pouquíssimo aproveitados pelo nosso corpo, já que o alto teor de ácido oxálico no vegetal inibe a absorção e a boa utilização deles pelo nosso organismo. Os estudos mostram também que o ácido oxálico do espinafre pode interferir com a absorção do cálcio presente em leites e seus derivados.

Mas calma, nem tudo está perdido: se consumido em pequenas quantidades, pode ser um grande aliado na nutrição. Sua ação anti-oxidante protege o organismo contra diversos tipos de câncer, além de diminuir os sintomas da depressão, fortalecer o sistema imunológico, proteger a visão, a pele e auxiliar no bom funcionamento intestinal.
Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Feliz 2008!!!

EEEEE 2008 começou! E com ele vem aquelas promessas de que vamos emagrecer, enriquecer e ser felizes. Já faz alguns anos que eu não faço promessas. O que vier, eu aproveito da melhor maneira possível, funciona melhor assim comigo. Se eu fizesse um balanço geral de 2007, diria que fechei o ano em saldo positivo. Muitas coisas desagradáveis aconteceram, mas 2 dos meus principais sonhos se realizaram e isso tem um peso enorme.
É claro que tenho muitos planos engavetados, mas tudo leva a crer que vou poder começar a encaminhar um deles (o terceiro sonho). Tenho 4 grandes sonhos. O segundo e o terceiro estão ligados, um é a ponte para o outro e pode também ser colocado em prática paralelamente no futuro (nossa quanto suspense hein), mas os três primeiros são (por exigência minha) primordiais para realizar o quarto. Acredito que o quarto sonho ainda não vai ser possível em 2008, mas eu não tenho pressa, realizar 3 dos 4 grandes sonhos até os 27 anos é lucro!
Tem um 5º sonho, mas esse não é primordial pra minha felicidade, não. Digamos que se realizar vai ser um belo bônus! Então ele fica lá guardadinho na gaveta. Se for pra ser, será. Já o 4º sonho é quase que a razão de eu me levantar todos os dias e correr atrás das coisas.
Curiosos pra saber? Ahhh segredinho!!! hahahah
Mas estou feliz com a minha casinha, com as pessoas que hoje me rodeiam (acho que finalmente restaram apenas as pessoas que valem à pena depois de uma grande triagem) e com meu trabalho que até agora é um mamão com açúcar! Como uma coisa leva a outra, uma amiga me passou um outro job também. As coisas vão acontecendo conforme emanamos uma energia favorável. É disso que vou falar nos próximos posts com mais afinco.
Como todos os anos, 2007 deixou belos aprendizados pra mim, mas o mais precioso de todos os aprendizados de todos os anos foi esse lance da energia. Mas isso fica pro próximo post!
Sexta-feira, Novembro 30, 2007

War in Rio!!!

Tudo bem, todo mundo já assistiu "Tropa de Elite" (e a maioria foi o piratão mesmo), já discutiu sobre os policiais corruptos, já pagou pau pro BOPE, já cantou a música 'tropa de elite, osso duro de roer, pega um pegar geral, também vai pegar você', já dançou o funk 'para-para-pápá-pá-pá-pá-traqui-pum'. Mas passada a febre do filme nacional do ano, fica uma pergunta: mudou alguma coisa? Não. As pessoas continuam morrendo no meio das trocas de tiros dos traficas com a polícia. Pior: ficou um clima (pra quem não vive essa realidade) de que tudo aquilo não passou de ficção...apenas uma boa história contada no cinema.
Mas eis que surge uma idéia que promete mexer com a cabeça dos brasileiros: War in Rio. Isso mesmo, montaram um tabuleiro de War com o mapa do Rio de Janeiro.
Ao invés do jogador escolher somente a cor de seu exército, dessa vez ele tem a fantástica oportunidade de escolher de acordo com os grupos armados (BOPE, CV, PM e outros), isso dinamiza o jogo, pois cada participante pode defender suas equipes de acordo com seus ideiais.
As regras são as mesmas e constituem os mesmos princípios morais comercializados em lojas infantis: matar, destruir, conquistar e aniquilar seus amigos. Os objetivos do jogo foram adaptados para a realidade violenta do cotidiano carioca. No lugar de conquistar continentes do além-mar, o jogador tem a possibilidade de arquitetar a invasão dos lugares que mora e trabalha, ou de locais que costuma ver em destaque no telejornal.
Segundo o designer e idealizador do jogo, Fabio Lopez, War in Rio é reflexão e entretenimento canalha. Claro que este jogo não está à venda, é apenas uma crítica à atual situação do Rio de Janeiro. Mas que seria legal, seria! Eu particularmente, compraria fáááácil esse jogo! Eu joguei muito War durante a infância, mas esse War in Rio ia ser muito mais emocionante, hehe um amigo meu disse: "Imagina a cena: Aquele adversário que só tem 3 exercitos no Morro da Babilônia e seu objetivo é destruir a cor dele -PEDE PRA SAIR ! PEDE PRA SAIR ! Tira essas pecinhas pretas que tu é moleque !!!"
O que impressiona, já que se trata de uma piada, é o nível de capricho que o designer dedicou ao baralho, ao tabuleiro... Não se espante se essa piada for mais longe e parar numa linha de produção de verdade.
Sexta-feira, Outubro 26, 2007

O verdadeiro vencedor

Eu estava indo muito bem na minha vida pacata quando toca o meu celular. Deixei a comida no fogo, a roupa lavando e atendi atenciosamente o gerente comercial de uma empresa que havia se interessado pelo meu currículo. Enquanto ele explicava sobre a vaga eu pensava: “aceito ou não?”. Concomitantemente, começou a passar um filme na minha cabeça mostrando as principais cenas de tudo que já passei profissionalmente.
Não só rostos sorridentes dizendo “nós te retornaremos com uma resposta” apareceram, mas também episódios em que tive que usar meu próprio dinheiro pra poder terminar meu trabalho (não preciso dizer que não fui reembolsada né), episódios em que fui vítima de boicotes, episódios de humilhação, etc. Quantas vezes chorei de nervoso, raiva, ódio, decepção...e tudo porque alimentei um ideal de profissão durante a faculdade que me foi apresentado como a realidade do mercado.
Então pra que passar por tudo aquilo de novo? Será que o dinheiro está acima da minha saúde emocional? É certo que pelo Dinho, a minha resposta ao gerente comercial seria “não estou interessada”, a vontade dele é que eu ficasse em casa cuidando das nossas coisinhas sem ter que me sujeitar a situações estressantes e humilhantes em troca de dinheiro. Mas não era o dinheiro pura e simplesmente que estava em jogo, dessa vez eu já o via em forma de uma parede pintada da minha cor preferida, de um colchão novo pra nossa cama, de armários pra cozinha...
A explicação do cara deve ter durado uns 3 minutos e tudo isso se passou pela minha cabeça nesses longos e sofridos 3 minutos. Se eu dissesse ‘não’, estava tudo encerrado e bola pra frente. Se eu dissesse ‘sim’, poderia mudar de idéia a qualquer momento. Óbvio que eu disse ‘sim’ pra empurrar a decisão final pra mais pra frente.
Marcada a entrevista, cerca de 30 minutos depois comecei a sentir os primeiros sintomas da ansiedade. Claro que eram sintomas controlados, mas mesmo assim, fazia tempo que eu não sentia o desagradável sabor amargo da insônia com pitadas de um apetite voraz e um leve toque de euforia. Procurei amenizar os sintomas me lembrando de todas as entrevistas que já fiz e até hoje estou esperando me ligarem com uma resposta, de todas as provas que fiz e que não sei se fui bem ou mal, muito menos o que errei e acertei e principalmente de todas as pessoas que se mostraram muito impressionadas com meu perfil, meu currículo, minhas qualidades e que nunca mais me procuraram.
Mas, sem dúvidas, o que desmantelou meu sonho de me tornar enfermeira foi o dia em que armaram pra me derrubar dentro de uma empresa, só porque eu representava uma ameaça a uma certa panelinha de cascavéis vestidas de branco. E conseguiram. Fui mandada embora e nunca superei por completo isso. Não pelo dinheiro, não pelo trabalho (que era deprimente), mas pela capacidade que certos cidadãos têm de jogar baixo pra conseguir o que querem. Confesso: fiquei chocada. Como trabalhar no meio de cobras e lagartos sem ser picada ou devorada a sangue frio? Até hoje não sei e nem sei se quero saber. Me dediquei tanto ao trabalho, fazia plantão de 12 horas (das 7 da manhã às 7 da noite), levava trabalho (que não era meu) pra casa e nada disso valeu à pena. Só serviu pra tirar minhas noites de sono e sacrificar minha vida pessoal.
Isso tudo me faz valorizar ainda mais meus afazeres domésticos, minha casinha, meu marido. Mas parece que a história ficou inacabada. Afinal de contas, o mocinho sempre vence no final e a mocinha que é humilhada e sofre a história inteira, sempre tem um fim deslumbrante onde ela dá a volta por cima. Mas onde está a volta por cima? Em ser dona de casa e fazer economias pra pagar a carne da semana? Em mostrar a mim mesma que eu devo seguir um novo caminho profissional e estudar terapias holísticas (que é minha verdadeira vocação)? Ou insistir na mesma tecla apesar de ter sofrido uma bela puxada de tapete?
Foi aí que meu melhor amigo soltou a frase que eu precisava ouvir: “Não importa o quão forte você pode bater, mas sim, o quanto você pode apanhar da vida e continuar indo em frente” (Rocky Balboa). Sim, o célebre lutador de boxe do mundo do cinema dos anos 80. Esta frase foi dita no último filme em 2006 estrelado, dirigido e criado por Stallone que encerra com dignidade a saga iniciada trinta anos atrás com “Rocky, Um Lutador”(1976).
Parei pra assistir ao filme. Entender em que circunstâncias Rocky diz tal frase. Eu detesto filmes de luta, mas esse realmente vale à pena ver. Sim, tem cenas de luta, mas são bem mais breves e tem um conteúdo preciozíssimo de lição de vida.

O que há de mais grandioso em “Rocky Balboa” é a história sobre alguém que já esteve no topo, perdeu praticamente toda sua glória e precisa, às vésperas de entrar na terceira idade, resgatar consigo mesmo sua moral. E era isso que estava faltando pra que eu fosse completamente feliz. Estou longe da terceira idade, mas minha moral e principalmente minha dignidade estavam abaladas e eu deixei isso acontecer.
Não sei se vou continuar querendo ser enfermeira pro resto da vida, se vou mudar de profissão ou simplesmente virar dona de casa. Mas eu devia esse resgate a mim mesma e deixei de lado. Tentei não dar bola, pois realmente ser dona de casa me faz feliz. Mas antes eu tenho que resgatar a minha dignidade e a minha moral, só não sabia como fazer isso. As pessoas dizem que dignidade é ter um emprego. As pessoas afirmam que felicidade é trabalhar e ganhar o próprio dinheiro. Qual será a verdade? Só metendo as caras pra saber. E era isso que eu ia fazer.
Decidida a ir na entrevista, me preparei pra isso. Li sobre a empresa e o produto principal dela. No dia, deu tudo errado: acabou a tinta da impressora quando fui imprimir um currículo meu, o Dinho acordou atrasado pro trabalho, isso me atrasou por tabela, peguei um trânsito horrível e fiquei pensando no carro: “será que isso é um aviso pra eu desistir?”. Logo em seguida pensei: “Agora que eu to aqui vou até o final”. Cheguei atrasada, levaram mais 1 hora pra me atender, mas a entrevista foi realizada. Ali qualquer tipo de ansiedade e apreensão já tinham se liquidado depois de tudo dar errado porque simplesmente já não contava mais com a possibilidade de ser escolhida. Como sempre, o entrevistador me elogiou muito, apontou minhas principais qualidades como se fossem perfeitas para o cargo e disse que me ligaria com uma posição. Eu dei aquele sorriso forçado e agradeci.
Passaram-se dias e um pingo de esperança que ainda havia se desfez. Surtei. O Dinho me confortou, disse que não tinha problema, que me apoiava em qualquer situação porque me amava. Voltei à vidinha pacata e confortável de dona de casa. De repente toca o celular e era o cara marcando uma nova entrevista, agora com o distribuidor do produto. Não me animei muito, pois já aconteceram várias vezes de me passarem pra segunda etapa do processo seletivo e depois eu ficar a ver navios. E quando eu digo várias vezes, eu quero dizer várias, mesmo. A última vez em que aconteceu isso, fui tão elogiada por todas as pessoas que me entrevistaram que eu tinha certeza de que o emprego era meu. Depois de 20 dias sem notícias, a ficha caiu e eu caí em depressão.
Nesse meio tempo, quase enlouqueci. Fui a uma festa de casamento e percebi o quanto eu almejava algumas coisas que somente tendo uma graninha extra eu poderia ter. Fiquei com medo, pois a tendência é colocarmos todas as esperanças numa entrevista de emprego e eu não queria mais passar pelo que já passei. Começar a imaginar que vai poder comprar coisas, que vai poder levar a pessoa amada ao cinema, que vai poder presentear seus pais no Natal pra depois perceber que você não foi o escolhido e continua na pindaíba é um kamikase emocional perigosíssimo.
Mas não tinha jeito, era tudo ou nada e eu me preparei pra grande luta, como Rocky Balboa fez nesse último filme. Mesmo meio enferrujada, estudei bastante e relembrei pontos-chave que poderiam ser discutidos na entrevista. Pois se eu perdesse a luta, pelo menos saberia que eu dei o meu melhor e não desisti.

No dia da segunda entrevista, fui em grande estilo: bem arrumada, segura e despreocupada. Fiz uma mentalização um dia antes pensando em tudo que já passei e como estava mais madura agora. Sabendo que o importante não é as porradas que você leva mas o quanto consegue permanecer de pé resistindo. E convencida de que a vida vai mostrar se devo continuar enfermeira, se vou virar terapeuta holística ou se realmente não tem mais nada a ver trabalhar fora. Eu não sabia se ia conseguir a vaga, mas foi essa a vez em que entendi o que deveria ser feito e como a vida deve ser vivida.
Pra finalizar o episódio, me ligaram, fui contratada. Isso mostra uma coisa bem interessante que explorarei com vocês posteriormente: a energia. A maneira como encaramos o mundo muda tudo.
Mas a vida não é uma luta. Eu não acredito nisso. Você pode transformá-la num ringue ou num mar de rosas, o poder está nas nossas mãos. Eu treinei, eu fui até o final, mas não lutei. Simplesmente porque eu não tinha um oponente. Resolvi fazer da vida minha aliada e daqui pra frente é assim que vai ser. Ca estou empregada (CLT) e casada. Meus sonhos estão sendo realizados graças à mudança no meu padrão de comportamento. Enfim, me sentindo realizada, plena. Mas sempre que houver uma oportunidade de qualquer coisa, lá estarei. Porque a única coisa que a gente não pode fazer em hipótese alguma é cair e não se levantar mais.